Da Cor à Cor Inexistente - Israel Pedrosa

 

 

 

 

 

Orelhas do Livro                

ORELHA 1:

...Que.venha um dia o seu livro de tanta riqueza estética e finura de percepção, a atestar a mescla de artista e humanista, que enriquece a nossa maneira de ver, desvendando-nos os sutis segredos do mundo.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - Carta a Israel Pedrosa - Rio, 10-IX-75. ...

Tua contribuição enriquece e renova a paleta (talvez considerem anacrônico mencioná-la) que se conserve ainda na mão do homem, que o coração manda. Tens à tua frente um caminho aberto. E tu o percorrerás com a mesma honestidade a modéstia que marcam a tua árdua escalada. Analisando a reprodução, publicada no "0 Globo” verifiquei que geometrizaste a figura de um peixe. Deduzo, então, que o emprego e a conjunção de linhas retas, assim como a variação tonal de cor escolhida, tenham produzido a irradiação da cor inexistente com a mesma intensidade obtida nas figuras puramente geométricas, que vi em teu atelier.
IBERÊ CAMARGO - Carta a Israel Pedrosa - Porto Alegre, 26-XI-1969.

"O que seria de nós sem o auxilio do que não existe? " A frase de Paul Valery é uma citação adequada para a pintura de Israel Pedrosa. Com o auxílio de cores existentes ele encontra novas relações matemáticas entre os tons e criou. uma nova poética da cor (...) Sua arte elaborada conscienciosamente não é apenas ciência pura, é também uma revelação das características da cor como mensagem lírica.
FLAVIO DE AQUINO - Manchete, 6-IX-1975.

Em abril de 1914, no Cairo, Klee anotava em seu diário. "A cor me possuI. Eu não necessito mais perseguí-la. Ela me possui para sempre. Eu e a cor somos um. Sou pintor." 0 mesmo Klee, anos mais tarde afirmaria que “a arte não reproduz o visível, torna visível”. No Brasil, em 1967, e depois de 16 anos de estudos, Israel Pedrosa, nascido em Alto Jequitibá, Minas, aluno de Portinari, pode afirmar, com aplausos gerais, não só que é pintor, mas que possui (é possuído) a cor. Ou mais do que isso, ele possui a cor invisível. Ou seja, nesse ano chegou às raízes básicas do domínio do fenômeno que denominou de cor inexistente (por surgir no quadro em áreas desprovidas de cor-pigmento).
FREDERICO MORAIS - O Globo - Rio, 28-IX-1975.

Ou então poderia dizer: Israel Pedrosa é um homem de aparência muito simples que abriu os caminhos da arte para o futuro, revelando através de uma extraordinária intuição e de um trabalho que lhe consumiu toda a vida, as possibilidades secretes das cores a foi capaz de pintar com a própria radiação. E o primeiro pintor que conseguiu dominar e utilizar na sua obra a própria luz.
JACOB KLINTOW ITZ - Apresentação da Exposição de Israel Pedrosa na Galeria Marte 21 - Rio, X-1975.

...Pedrosa abriu um caminho próprio a partir de uma descoberta a que ele deu o me de "cor inexistente"... Pedrosa reduz a experiência estética ao aqui e agora das excitações da retina. E isto não impede, mas, pelo contrário, propicia uma tal intensificação do campo visual, que nos termina por desencadear uma carga de impacto e, por um instante que seja, nos fascina.
FERREIRA GULLAR - Isto É, 20-X-1981.

Alegra-me notar que a pintura do nosso Israel Pedrosa torna-se ainda mais complexa, pelas suas pesquisas no terreno das tramas de natureza óptica, que levam a ultrapassagem das perspectivas aérea e linear, renascentistas. Procura alcançar maior transcendência em sua visualidade peculiar, feita de mutações, vibrações e refrações ligadas à luz e à cor. Na busca da especificidade e da pintura, paradoxalmente atinge mágica identificação de sua arte com as formas musicais,em outro contexto, já que não é apenas o de Kandinsky.
ANTONIO BENTO - Apresentação da Exposição de Israel Pedrosa na Quadro - Galeria de Arte - Rio, XI-1979.

 

 

 

 

 

ORELHA 2:

Falamos num livro, num texto admiravelmente limpo, ricamente ilustrado, trazendo o novo, um novo indefinível, se não fosse a Poesia, desde já acompanhada de si mesma, Shakespeare: “dá ao nada impalpável/morada e nome." 0 impalpável, de nome "cor inexistente'', foi descoberto onde também mora: na pintura de Israel Pedrosa, já agora com certidão de batismo no livro competente, a nos transmitir a Arte paralelamente coma Ciência, da qual também se nutre"
OLIMPIO DE SOUZA ANDRADE - O Globo. -11-XII-1977

Para tocar o além-da-cor, Israel Pedrosa construiu uma obra teórica das maIs completas e abrangentes sobre a própria cor. tesouro de sabedoria, em linguagem simples e concisa, sem desperdício de energia e palavra, como um toque de sensível abertura por caminhos transfigurados, graças ao equilíbrio indispensável da ciência e do sonho.
WALMIR AVALA - O Cruzeiro - 7-1-1978

0 autor tem todas as características dos maníacos, dos loucos, dos possessos, dos obsessos, dos obsediados, dos obcecados, dos obsessionados - com a imensidão de sua racionalidade buscadora, e inquisidora e de sua emoção transfiguradora que o transformam num sábio a artista, às vezes até quase um Santo, pois às vezes a miragem e o projeto de que se deixou motivar o levam a orações quase franciscanas de aparente ingenuidade, vale dizer, da pureza que não atemoriza os iluminados... ANTONIO HOUAISS - Trecho do Prefácio da 2a Edição - "Da Cor à Cor Inexistente"- Rio, 10-IV-1978.
Confesso que esse belo Iivro me deixou ao mesmo tempo fascinado e perplexo....
RUBEM BRAGA - Crônica, TV Globo. - Rio, 8-VII-1978.

"Da Cor a Cor Inexistente" é título do esplêndido livro de Israel Pedrosa, pintor senhor de sua arte que alcança dizer o máximo, e bem, com a maior clareza, sobre as teorias da cor, endereçando-a à prática profissional, a experiência e a paixão de artista. Um livro para artistas, professores e estudantes de arte, para críticos e curiosos das coisas da arte da pintura... Israel Pedrosa, com paixão pelo assunto e responsabilidade profissional, com capacidade excepcional de pesquisador, fez um estudo completo sobre a importância da cor e seus fenômenos interferentes na visão... A pintura em seu amplo setor de expressão (de comunicação), do quadro tradicionalmente concebido, até os mais surpreendentes recursos de técnicas para aguçar os sentimentos estéticos pela só presença da cor. Da cor que é a luz. A luz que traz em seus raios a cor...
QUIRINO CAMPOFIORITO Jornal de Letras - VII-1979

A vista inventa as cores. ou melhor, a vista metamorfoseia a realidade ao seu modo. E embora isto seja totalmente imaginário, é cientificamente constatável. É como nas narrativas fantásticas de Kafka e Garcia Marques: nada daquilo existe, mas tudo aquilo existe. Estes dados estou tirando de um Iivro que me deixou perplexo e alimentado desde que o li (ou vi) a primeira vez: "Da Cor à Cor Inexistente", de Israel Pedrosa feito por Leo Christiano Editorial. Esta obra deveria ser utilizada nas aulas de filosofia ou ser convertida em manual para a gente entender as verdades políticas e ideológicas que nos tentam impingir. Portanto, retomando o fabuloso livro de Israel Pedrosa, pode-se dizer que entre a cor e a cor inexistente estão todas as cores, sobretudo as imaginárias.
AFFONSO ROMANO DE SANT'ANA - O Globo - 6-X-1991.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sumário

CRÔNICA DE RUBEM BRAGA . V

A INVENÇÃO DO INEXISTENTE - JACOB KLINTOWITZ ........... VI

TRES MOTIVOS DE ISRAEL PEDROSA - TELMO PADILHA IX

PREFÁCIO DA 1a EDIÇÃO 7

PREFÁCIO DA 2a EDIÇÃO — ANTONIO HOUAISS ............. 11

I — INTRODUÇÃO

1 - A COR ............. 17

Estímulos. Percepção da cor. Classificação das cores.

2 - A LUZ ............. 23

Emissão, propagação e natureza da luz. Características e propriedades da luz. Diferença de velocidades: fator de decomposição da luz branca. Aferição da luz. Os átomos na produção da luz.

3 - O OLHO E A VISÃO ...... 31

Estrutura do olho humano. Visão cromática. Limites da visão.

II — PREMISSAS E DESENVOLVIMENTO DA TEORIA

1 - LEONARDO DA VINCI E A TEORIA DAS CORES ...... 37

O legado histórico. A influência de Alberti e o saber da Antiguidade. Perspectiva aérea. Cores primárias. Visão da cor. Colorido renascentista. O esfumado. A beleza das cores. Contraste simultâneo de cores. Sombra e luz. Composição da luz branca.

2 - NEWTON E A ÓPTICA FÍSICA 49

3 - O ESBOÇO DE UMA TEORIA DAS CORES, DE GOETHE ... 53

Antecedentes e origens das preocupac6es cromáticas. Discordância da teoria de Newton. Antigas verdades e descobertas de Goethe. O efeito sensível-moral da cor

4 - ÓPTICA FISIOLÓGICA ...... 67

Teoria tricromática. Adaptação visual. Movimento e latência.

Discos rotativos. Diferença de percepção.

5 - REPRESENTAÇÃO GRAFICA, TRIDIMENSIONAL E
MENSURAÇÃO DE CORES 81

Sólidos de cores. Espectrofotometria. Colorimetria.

III — A NATUREZA DA COR E SUA AÇÃO PSÍQUICA, SIMBÓLICA E MÍSTICA

1- ESTÍMULOS: ESTRUTURAS DA COR ............. 89

2 - ELEMENTOS PSICOLÓGICOS .... 91

3 - UTILIZACÃO MÍSTICA E SIMBÓLICA ...... 99

Reações à cor. Fascínio da abstração. A cor no esporte. A cor na Teosofia e Antroposofia. A cor nos cultos afro-brasileiros.

IV — CORES

1 - CORES .... 107

Vermelho. Amarelo. Verde. Azul. Violeta. Laranja. Púrpura. Marrom, ocre e terras. Branco. Preto.

V — DO IMPRESSIONISMO À ARTE ABSTRATA

1 - DO IMPRESSIONISMO À ARTE ABSTRATA .... 123

Antecedentes do Impressionismo. O Impressionismo. O Abstracionismo.

VI — 0 EMPREGO DAS CORES NO BRASIL

1 - O EMPREGO DAS CORES NO BRASIL .......... 137

VII — ELEMENTOS DE HARMONIA

1 - CONSIDERAÇÕES GERAIS .... 143

Harmonização de valores e tons. Escala de valores.

2 - HARMONIZAÇÃO .... 151

Sistema gráfico de harmonização de cores. Círculos de Harmonização e Módulos de Mensuração. Módulos de Mensuração. Combinação de cores. Harmonia de tons, ou cromática. Escala cromática em Modo Maior ou Menor. Harmonia consonante.

Harmonia assonante.

3 - DA LEI DO CONTRASTE SIMULTÂNEO DAS CORES 167

VIII — COR INEXISTENTE

1 - MUTAÇÕES CROMÁTICAS ..... 179

2 - COR INEXISTENTE .... 199

Componentes estruturais. O domínio do fenômeno.

1 - ÍNDICE REMISSIVO ........... 215