Da
Cor à Cor Inexistente - Israel Pedrosa |
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Orelhas
do Livro
ORELHA 1:
...Que.venha um dia o seu livro de tanta riqueza estética e finura de
percepção, a atestar a mescla de artista e humanista, que enriquece a
nossa maneira de ver, desvendando-nos os sutis segredos do mundo. Tua contribuição enriquece e renova a paleta (talvez considerem
anacrônico mencioná-la) que se conserve ainda na mão do homem, que o coração
manda. Tens à tua frente um caminho aberto. E tu o percorrerás com a mesma
honestidade a modéstia que marcam a tua árdua escalada. Analisando a
reprodução, publicada no "0 Globo” verifiquei que geometrizaste a figura de um
peixe. Deduzo, então, que o emprego e a conjunção de linhas retas, assim como a
variação tonal de cor escolhida, tenham produzido a irradiação da cor
inexistente com a mesma intensidade obtida nas figuras puramente geométricas,
que vi em teu atelier. "O que seria de nós sem o auxilio do que não existe? " A frase
de Paul Valery é uma citação adequada para a pintura de Israel Pedrosa. Com o
auxílio de cores existentes ele encontra novas relações matemáticas entre os
tons e criou. uma nova poética da cor (...) Sua arte elaborada
conscienciosamente não é apenas ciência pura, é também uma revelação das
características da cor como mensagem lírica.
Em abril de 1914, no Cairo, Klee anotava em seu diário. "A cor me possuI. Eu
não necessito mais perseguí-la. Ela me possui para sempre. Eu e a cor somos um.
Sou pintor." 0 mesmo Klee, anos mais tarde afirmaria que “a arte não reproduz o
visível, torna visível”. No Brasil, em 1967, e depois de 16 anos de estudos,
Israel Pedrosa, nascido em Alto Jequitibá, Minas, aluno de Portinari, pode
afirmar, com aplausos gerais, não só que é pintor, mas que possui (é possuído)
a cor. Ou mais do que isso, ele possui a cor invisível. Ou seja, nesse ano
chegou às raízes básicas do domínio do fenômeno que denominou de cor
inexistente (por surgir no quadro em áreas desprovidas de cor-pigmento). Ou então poderia dizer: Israel Pedrosa é um homem de aparência
muito simples que abriu os caminhos da arte para o futuro, revelando através de
uma extraordinária intuição e de um trabalho que lhe consumiu toda a vida, as
possibilidades secretes das cores a foi capaz de pintar com a própria radiação.
E o primeiro pintor que conseguiu dominar e utilizar na sua obra a própria luz. ...Pedrosa abriu um caminho próprio a partir de uma descoberta
a que ele deu o me de "cor inexistente"... Pedrosa reduz a experiência estética
ao aqui e agora das excitações da retina. E isto não impede, mas, pelo
contrário, propicia uma tal intensificação do campo visual, que nos termina por
desencadear uma carga de impacto e, por um instante que seja, nos fascina. Alegra-me notar que a pintura do nosso Israel Pedrosa torna-se
ainda mais complexa, pelas suas pesquisas no terreno das tramas de natureza
óptica, que levam a ultrapassagem das perspectivas aérea e linear,
renascentistas. Procura alcançar maior transcendência em sua visualidade
peculiar, feita de mutações, vibrações e refrações ligadas à luz e à cor. Na
busca da especificidade e da pintura, paradoxalmente atinge mágica
identificação de sua arte com as formas musicais,em outro contexto, já que não
é apenas o de Kandinsky. |
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ORELHA 2: Falamos num livro, num texto admiravelmente limpo, ricamente ilustrado,
trazendo o novo, um novo indefinível, se não fosse a Poesia, desde já
acompanhada de si mesma, Shakespeare: “dá ao nada impalpável/morada e nome." 0
impalpável, de nome "cor inexistente'', foi descoberto onde também mora: na
pintura de Israel Pedrosa, já agora com certidão de batismo no livro
competente, a nos transmitir a Arte paralelamente coma Ciência, da qual também
se nutre"
Para tocar o além-da-cor, Israel Pedrosa construiu uma obra teórica das maIs
completas e abrangentes sobre a própria cor. tesouro de sabedoria, em linguagem
simples e concisa, sem desperdício de energia e palavra, como um toque de
sensível abertura por caminhos transfigurados, graças ao equilíbrio
indispensável da ciência e do sonho.
0 autor tem todas as características dos maníacos, dos loucos, dos possessos,
dos obsessos, dos obsediados, dos obcecados, dos obsessionados - com a
imensidão de sua racionalidade buscadora, e inquisidora e de sua emoção
transfiguradora que o transformam num sábio a artista, às vezes até quase um
Santo, pois às vezes a miragem e o projeto de que se deixou motivar o levam a
orações quase franciscanas de aparente ingenuidade, vale dizer, da pureza que
não atemoriza os iluminados... ANTONIO HOUAISS - Trecho do Prefácio da 2a
Edição - "Da Cor à Cor Inexistente"- Rio, 10-IV-1978.
"Da Cor a Cor Inexistente" é título do esplêndido livro de Israel Pedrosa,
pintor senhor de sua arte que alcança dizer o máximo, e bem, com a maior
clareza, sobre as teorias da cor, endereçando-a à prática profissional, a
experiência e a paixão de artista. Um livro para artistas, professores e
estudantes de arte, para críticos e curiosos das coisas da arte da pintura...
Israel Pedrosa, com paixão pelo assunto e responsabilidade profissional, com
capacidade excepcional de pesquisador, fez um estudo completo sobre a
importância da cor e seus fenômenos interferentes na visão... A pintura em seu
amplo setor de expressão (de comunicação), do quadro tradicionalmente
concebido, até os mais surpreendentes recursos de técnicas para aguçar os
sentimentos estéticos pela só presença da cor. Da cor que é a luz. A luz que
traz em seus raios a cor...
A vista inventa as cores. ou melhor, a vista metamorfoseia a realidade ao seu
modo. E embora isto seja totalmente imaginário, é cientificamente constatável.
É como nas narrativas fantásticas de Kafka e Garcia Marques: nada daquilo
existe, mas tudo aquilo existe. Estes dados estou tirando de um Iivro que me
deixou perplexo e alimentado desde que o li (ou vi) a primeira vez: "Da Cor à
Cor Inexistente", de Israel Pedrosa feito por Leo Christiano Editorial. Esta
obra deveria ser utilizada nas aulas de filosofia ou ser convertida em manual
para a gente entender as verdades políticas e ideológicas que nos tentam
impingir. Portanto, retomando o fabuloso livro de Israel Pedrosa, pode-se dizer
que entre a cor e a cor inexistente estão todas as cores, sobretudo as
imaginárias.
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Sumário CRÔNICA
DE RUBEM BRAGA
.
V A
INVENÇÃO DO INEXISTENTE - JACOB KLINTOWITZ
...........
VI TRES
MOTIVOS DE ISRAEL PEDROSA - TELMO PADILHA
IX PREFÁCIO
DA 1a EDIÇÃO
7 PREFÁCIO
DA 2a EDIÇÃO — ANTONIO HOUAISS
.............
11 I
—
INTRODUÇÃO 1
- A COR ............. 17 Estímulos.
Percepção da cor. Classificação das cores. 2
- A LUZ ............. 23 Emissão, propagação e natureza da luz. Características e propriedades da luz. Diferença de velocidades: fator de decomposição da luz branca. Aferição da luz. Os átomos na produção da luz. 3
- O OLHO E A VISÃO ...... 31 Estrutura do olho humano. Visão cromática. Limites da visão. II
—
PREMISSAS E DESENVOLVIMENTO DA TEORIA 1
- LEONARDO DA VINCI E A TEORIA DAS CORES ......
37 O legado histórico. A influência de Alberti e o saber da Antiguidade. Perspectiva aérea. Cores primárias. Visão da cor. Colorido renascentista. O esfumado. A beleza das cores. Contraste simultâneo de cores. Sombra e luz. Composição da luz branca. 2
- NEWTON E A ÓPTICA FÍSICA
49 3 - O ESBOÇO DE UMA TEORIA DAS CORES, DE GOETHE ... 53 Antecedentes e origens das preocupac6es cromáticas. Discordância da teoria de Newton. Antigas verdades e descobertas de Goethe. O efeito sensível-moral da cor 4
- ÓPTICA FISIOLÓGICA ...... 67 Teoria
tricromática. Adaptação visual. Movimento e latência. Discos
rotativos. Diferença de percepção. 5 - REPRESENTAÇÃO GRAFICA, TRIDIMENSIONAL E Sólidos
de cores. Espectrofotometria. Colorimetria. III
— A NATUREZA DA COR E SUA AÇÃO
PSÍQUICA,
SIMBÓLICA E MÍSTICA 1-
ESTÍMULOS: ESTRUTURAS DA COR
.............
89 2
- ELEMENTOS PSICOLÓGICOS
....
91 3 - UTILIZACÃO MÍSTICA E SIMBÓLICA ...... 99 Reações à cor. Fascínio da abstração. A cor no esporte. A cor na Teosofia e Antroposofia. A cor nos cultos afro-brasileiros. IV — CORES1
- CORES
.... 107 Vermelho.
Amarelo. Verde. Azul. Violeta. Laranja. Púrpura. Marrom, ocre e terras. Branco.
Preto. V
— DO IMPRESSIONISMO À ARTE ABSTRATA 1
- DO IMPRESSIONISMO À ARTE ABSTRATA
....
123 Antecedentes do Impressionismo. O Impressionismo. O Abstracionismo. VI — 0 EMPREGO DAS CORES NO BRASIL1
- O EMPREGO DAS CORES NO BRASIL ..........
137 VII — ELEMENTOS DE HARMONIA1
- CONSIDERAÇÕES GERAIS ....
143 Harmonização
de valores e tons. Escala de valores. 2
- HARMONIZAÇÃO .... 151 Sistema gráfico de harmonização de cores. Círculos de Harmonização e Módulos de Mensuração. Módulos de Mensuração. Combinação de cores. Harmonia de tons, ou cromática. Escala cromática em Modo Maior ou Menor. Harmonia consonante. Harmonia
assonante. 3
- DA LEI DO CONTRASTE SIMULTÂNEO DAS CORES
167 VIII — COR INEXISTENTE1
- MUTAÇÕES CROMÁTICAS
.....
179 2
- COR INEXISTENTE .... 199 Componentes
estruturais. O domínio do fenômeno. 1
- ÍNDICE REMISSIVO
...........
215 |