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ORELHA 1: ANTONIO BENTO (de ARAUJO LIMA) nasceu em Aramna, Paraíba, em outubro de 1902. Faleceu no Rio em outubro de 1988. Viveu sua infância no engenho e fazenda Bom Jardim, no litoral do Rio Grande do Norte, sendo bisneto, neto e filho de senhores de engenho. Fez estudos ginasiais em Natal Iniciou o curso de Direito em 1920, no Recife, quando morou numa república de estudantes de Olinda, tendo como companheiros José Lins do Rego e Raul Bopp. |
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0 primeiro artista moderno que conheceu foi Vicente do Rego Monteiro. Transferiu-se em 1923 para a Faculdade de Direito do Catete, no Rio, formando-se em 1925. Conheceu Portinari em 1924 e Ismael Nery e DiCavalcanti em 1925. Em São Paulo, em 1926, trabalhou ao lado de Mario Pedrosa no Diário da Noite, como cronista musical Participou de pesquisas folclóricas com Mario de Andrade, fornecendo-Ihe temas nordestinos, inclusive as canções do Bumba-meu-boi. Para “Macunaíma" cedeu os cantos da dança dramática e conseguiu que Pixinguinha lhe fornecesse a macumba da Tia Ciata. Mario de Andrade colocou ANTONIO BENTO e outros amigos, entre os quais Blaise Cendras, Manuel Bandeira, Jayme Ovale e Raul Bopp numa cena de magia negra, no Rio. Desse modo ANTONIO BENTO foi transformado em personagem de “Macunaíma". Alias, o próprio autor dessa rapsódia confessou que devia muito a ANTONIO BENTO e a Mario Pedrosa o estímulo e a compreensão que o levaram a escrever essa obra-prima da literatura de vanguarda no modernismo brasileiro. Voltou para o Rio em 1927, ano em que foi eleito deputado estadual pelo Rio Grande do Norte. Participou da elaboração da lei pioneira que concedeu no Brasil o voto feminino. Foi reeleito para um segundo mandato, deixando de exercê-lo em face da revolução de 1930. Foi um dos redatores a participar da fundação do Diário de Noticias em 1930, onde trabalhou ate 1932, quando foi nomeado, graças a Lindolfo Collor, para o Ministério do Trabalho, juntamente com Olegário Mariano. Casou-se em 1932. Em 1940, foi nomeado Procurador Regional do Trabalho e mais tarde Procurador de 1a Categoria do Ministério Público da União. Trabalhou no Diário Carioca, de 1934 ate o seu fechamento em 1965, onde foi redator político e comentarista da segunda Grande Guerra. A partir de 1945, assinou no mesmo órgão de imprensa apenas uma coluna diária de critica musical e de artes visuais. Manteve depois essa coluna no jornal Ultima Hora, de 1966 a 1970. A convite da UNESCO, participou em 1948 do Congresso de Críticos de Arte, realizado em Paris, preparatório da criação da AICA. Viajou novamente para a Franca em 1949, tornando-se um dos sócios fundadores da Associação Internacional de Críticos de Arte. Tomou parte em vários de seus congressos e assembléias. Foi eleito e reeleito duas vezes Presidente da Seção Brasileira da AICA, e durante muitos anos seu Presidente de Honra. Foi membro da Comissão Artística e Diretor do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, entre 1960 e 1962. Sócio fundador do MAM do Rio, participou de três Bienais de Paris, como comissário e delegado. Integrou os júris nacionais e internacionais das Bienais de São Paulo e de Veneza. Visitou a Documenta de Kassel de 1972. Foi membro de vários júris do Salão Nacional de Arte Moderna e integrante da Comissão Nacional de Artes Plásticas da FUNARTE - 1978 e 1980. Com inúmeros trabalhos de analise e interpretação estética, consagrou-se como um dos maiores divulgadores da arte moderna em nosso país. 0 autor de Manet no Brasil, Ismael Nery, Abstração na Arte dos Índios Brasileiros e Milton Dacosta apresenta-nos agora o magnífico texto deste livro definitivo: Portinari
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ORELHA 2: “Portinari não é apenas um artista vitorioso. É
também a expressão humana e atual da vitória do artista no Brasil, considerada
impessoalmente como essa força criadora apta a representar no mundo o sinal da
nossa presença entre as inspirações modernas da vida." "...tão inconfundível como inimitável. Pois só os
gênios são tão inconfundíveis como inimitáveis." "...um sentido possante, uma lógica viral de
criação, um significado poético muito intenso, que lhe derivam de sua vibrante
compreensão humana da vida, principalmente do seu nacionalismo..." "Também este grande artista pagou o tributo a
incompreensão. Conforta vê-lo hoje aclamado como uma pura gloria nacional" "Ei-lo agora, após a difícil travessia, apresentando
as amostras das suas descobertas, aparelhado a evocar o seu mundo. Mas ainda
inquieto e pronto para novas aventuras." "Como esquecer, Candinho, tua casa das Laranjeiras?
E aquelas horas em que eu, gauche, sentia em mim, sem confessá-lo, o orgulho de
ser do teu tempo, da tua companhia..." "...ser o primeiro entre nós, o elemento inicial, e
por isso mesmo essencialmente criador. Antes dele era a noite absoluta." "Assim, todas as suas energias, imperiosamente
tensas na dupla missão estética e moral, desencadeiam como tempestade a sua
ânsia de pintar; ânsia veemente, que transmite ao mundo a radiação palpitante
de uma obra prodigiosa: na linguagem universal da arte, Candido Portinari
exprime, com singularidade impressionante, as desgraças, mas também a grandeza
e as esperanças dos,homens." "Não é arte fácil, teve um longo caminho duro,
impôs-se a custo nestes infelizes dias de logro e charlatanismo..." "Portinari exprime o subconsciente, um campo que
antes nunca tinha sido explorado em arte. Por que não poderá capturar os
monstros errantes de sua mente e pô-los numa tela?" "...o mais notável pintor das Américas..." "...um prospector de infinitesimais... dir-se-ia uma
fora que jorra com ímpeto, sempre renovada, sempre curiosa, infatigável, com a
pintura no sangue." "...um desses raros artistas que tiveram êxito na
difícil síntese das expressões estéticas mais modernas e das mais intensas
angústias humanas." "Na minha opinião, Portinari é um dos maiores
pintores de nosso tempo. A sua força é enorme. Na manhã em que vi o conjunto de
suas telas experimentei uma tal emoção que me retirei da Galeria Charpentier
possuído por uma verdadeira fadiga nervosa. Nessa tarde não pude trabalhar" "Portinari manifesta um dom de criação livre, uma
força de expansão antiformalista que o situa na linhagem dos grandes barrocos e
o liga assim diretamente à tradição artística autóctone que existia no Brasil
antes da introdução do neoclassicismo por uma missão estrangeira..." "A pintura de Portinari não se restringia a
problemas intelectuais, mas encontrava sua satisfação num espaço amplo, numa
espontaneidade e numa liberdade que se resumiam numa palavra: grandeza. E isso
lhe parecia feito por alguém que possuía um temperamento verdadeiro, um
temperamento de poeta, ou seja, de homem"
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SUMÁRIO DO LIVRO: |
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APRESENTAÇÃO: Afonso Arinos de Melo Franco
PARTE I
PARTE II
PARTE III
PARTE IV
PARTE V
PARTE VI
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