Otto Júlio Marinho, autor deste livro, é médico. Dirigiu a cadeira de
Clínica de Propedêutica Cirúrgica da Faculdade de Medicina do Rio Grande do
Norte. Fez estágios em neurocirurgia com o dr. Paulo Niemeyer, na Escola de
Pós-Graduação Médica do Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, em
1954, com o dr. Djalma Chastinet, no Hospital Getúlio Vargas, em 1955 e com o
prof. Francisco José da Rocha, no Hospital Vera Cruz (Belo Horizonte), em 1961.
O professor doutor Otto Marinho deu aulas de matérias de sua especialidade em
universidades brasileiras e na Universidade de Ohio, nos Estados Unidos.
Quando aluno e como professor da Escola Superior de Guerra, entre 1967 e 1972,
a repercussão causada pela publicação do presente trabalho não o surpreendeu.
Surpresa mesmo foi ter sido condecorado com a Ordem Nacional do Mérito Médico
pelo então presidente da República.
Com acesso ao texto e à sua repercussão na imprensa da época, achei que seria
fácil conseguir a autorização de publicá-lo, uma vez que mantenho leal e franca
relação de amizade com o Autor. Ledo engano. Ele levou tempo para decidir e
quando veio o sim, me impôs condições: não queria virar pauta de entrevistas,
alvo de convites para conferências e tudo aquilo que, na aurora boreal da vida,
se apresentasse como insinuação de homenagens.
Vai dificultar a divulgação, respondí. Ponha tudo em seu nome, disse. Ora doutor Otto,
isto é impraticável. Argumentei de todo jeito até conquistar a posse dos originais
para transformá-lo neste livro, com o título mais óbvio do mundo: 1972 - o ano em que
liberdade de imprensa virou notícia.
Enquanto em vários quartéis a tortura e a repressão corriam soltas, na escola da Urca,
no mesmo local onde Estácio de Sá expulsou os franceses e fundou a mui leal e heróica
S. Sebastião do Rio de Janeiro, a liberdade de pensar e dizer parecia não ter sofrido
sequer um arranhão. E, coincidentemente, esta nova edição acontece no ano em que a ESG
comemora 60 anos de fundação, o doutor Otto chega aos 90 e a extinção da lei de imprensa
do regime militar acaba de ser aprovada no STF. Boa leitura é o que desejo a todos.
Léo Christiano